segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Ah, um poema...

Já ignoro -e tanto se me dá - se cito ao certo o poeta que estudei com rigor nos bancos escolares de London, mas agora o êxtase da morfina faz com que esse verbo se enevoe em minha memória, enquanto uma bela jovem, talvez real, talvez imaginária, afasta-se, com leves passos, e também rio sem sentido de quem - presente, sonhado, recordado - tentava me fazer crer que os nativos pretendem expulsar o Império desta terra, que civilizamos... mas de que eu dizia, mesmo? ah, um poeta... antes de adormecer (durmo, deliro por instantes?), enquanto as luzes empalidecem, parecem empalideceer talvez a lembrança de alguém a que não ousaria repetir o agro nome, me faz repetir...


Had I the heaven's embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light;
I would spread the cloth under you feet;
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet,
Tread softly because you tread on my dreams.

Yeats, acho... mas já não é preciso tanta sutileza, embora já tenha sido, e não fui ouvido quando pedi, citando, em juventude, o poeta. Pisem agora por onde quiserem, sapateiem, e sirvam-me mais absinto.

2 comentários:

Dieter disse...

"To Flanders fields the hippies go/ To smoke the poppies there below".
Friends of Mine,Burton Cummings.

Lolita Tcheribaskáia disse...

Charlus, estou amarga para qualquer tipo de poesia. O absinto vai bem à ocasião.