Não... Estou bem. É normal que a bebida tire um pouco de minha acidez. Apenas não quero falar. Por que quer tanto saber de mim? Odeio essas sangrias masculinas. Quer descobrir meu passado, penetrar por entre minhas perfídias e descobrir, talvez, alguma fraqueza por debaixo da patente?
Ora, faça-me um favor. Daqui a pouco enxotar-nos-ão do recinto... Já amanhece... Não, meu querido, não... shhhh. Hoje não direi nada. Não me venha com perguntas. Se eu começar, minha fraqueza tomará corpo. Ah, vocês, homens. NÃO. Pare. Eu não direi nada...
Odeio isso que você chama de amor. É isso que torna as pessoas fracas, sabia? É isso que dá a elas uma sensação de ser manipulada... Sim, estou bêbada. Mas não sei porque continua comigo... Deveria ir embora. Não há nada mais deprimente que contemplar uma mulher bêbada. Olhe! hahahahaha... Meu rímel está escorrendo...
Essa visão decrépita te excita? hein? Diz! Não, não diga nada. Vá embora, pois você eu não quero. Não quero nenhum de vocês daqui... Nenhum de vocês que e olham com esses olhares libidinosos. Tomarei meu capote e irei...
Nada de abraços... Os seus, não os quero.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
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2 comentários:
Foi da sua mesa então que aquela figura se levantou, cambaleante, macambúzia e com uma garrafa na mão, enquanto outra foi arremessada quase até o teto, caindo como um bólido de fogo (Von Himmel Hoch)- apenas não se espatifou graças à habilidade dos garçons da casa. Fui impedido de ver a totalidade da coisa porque só consegui aquela mesa de que não gosto, a que fica atrás de uma das pilastras...
Olá
Sou amiga de um alguém que me indicou este blog.
Adorei suas poesias. Bem pontuadas, palavras bem expressadas, passam sentimentos: melancolia, tristeza, sofrimento.
Muito bom mesmo!
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