quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Schwierig, sehr schwierig

Primeiro, eu vi uma imagem aparecer no ar; depois, tentei tocar a imagem. É inútil agarrar uma imagem; pode-se aprisioná-la no pensamento. Então você pode brincar de criador e dar movimentos, trejeitos, tom de voz, humor, virtudes e mesmo doces vícios; trabalhar com um pedaço de mármore e fazer a figura do tamanho que se quer. Eis que ela cria vida e movimenta-se como bem entende, através dos corredores de sua cabeça. O artista perde o controle. A criatura chega nos momentos em que você quer estar só; sai noutros em que se precisa ver nas paredes uma sombra que não seja a sua. No entanto, o artista ri de tais desobediências. Em algum momento, os papéis invertem-se e a obra de arte pode pousar o artista num lugar de destaque, bem como pode encerrá-lo num porão; pode vendê-lo e até fragmentá-lo em centenas de pedaços, com a simples força da vontade, com a mesmíssima força que serviu de ferramenta para dar contorno às suas formas.

Eu ri, pois seria inútil criar um Danúbio naquele carpete recém-pregado às tábuas. Quanto ao Danúbio, vá lá, mas e a embarcação? Já vi uma variedade imensa de fatos, exceto uma glândula secretar madeira.

Há dias em que nada acontece. Nessas ocasiões, ainda se é assombrado por uma incômoda sensação de perpetuidade da estagnação. O dia seguinte parece uma especulação louca. Resolvi voltar para o meu mundo de papelão. Enquanto eu andava e via os carros e ônibus e até um avião que cruzou os céus, pensei no quanto éramos mais livres e móveis ao usar os cavalos e os próprios pés. As distâncias eram menores. Está rindo? Tudo bem...

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